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 DOR VISCERAL CRÔNICA SECUNDÁRIA

Definição breve: Dor persistente ou recorrente que se origina em órgãos internos (cabeça/pescoço ou cavidades torácica, abdominal e pélvica), com etiologia visceral altamente provável, frequentemente associada a alterações emocionais, cognitivas e comportamentais.


1. Critérios Diagnósticos

a. Distribuição da Dor

  • Localizada em órgãos específicos das regiões de cabeça/pescoço, tórax, abdômen ou pelve.
  • A área de dor deve ser condizente com a inervação do órgão acometido.

b. Duração da Dor

  • Persistente ou recorrente por um período prolongado, tipicamente ≥3 meses, caracterizando a cronicidade.

c. Características da Dor

  • Origem visceral altamente provável (quando incerta, considerar dor crônica primária).
  • Pode manter-se mesmo após tratamento bem-sucedido da causa subjacente.
  • Associada a impacto emocional, cognitivo ou comportamental significativo.

2. Sintomas Associados

a. Emocionais e Funcionais

  • Sofrimento emocional, ansiedade e possíveis alterações comportamentais.
  • Redução da qualidade de vida e prejuízo em atividades diárias.

b. Comorbidades Médicas

  • Pode estar relacionada a condições inflamatórias, vasculares ou mecânicas específicas de cada órgão.
  • Necessita avaliação multidisciplinar (gastroenterologia, ginecologia, urologia, medicina interna, etc.) para investigar e tratar possíveis causas subjacentes.

3. Fatores Psicossociais

  • Podem influenciar na percepção da dor e na sua cronicidade.
  • Envolvem aspectos emocionais (por exemplo, depressão, ansiedade) e fatores sociais (suporte familiar, ambiente de trabalho).

4. Critérios de Exclusão

  • Se a etiologia for vaga: considerar classificação como dor crônica primária.
  • Se relacionada a câncer ou seu tratamento: classificar em dor crônica relacionada ao câncer.
  • Se pós-cirúrgica ou pós-traumática: classificar em dor crônica pós-cirúrgica ou pós-traumática.
  • Se de origem neuropática: utilizar códigos de dor crônica neuropática (ex.: lesão medular com dor abaixo do nível da lesão).

5. Considerações Adicionais

  • Principais mecanismos:
    1. Inflamação persistente
    2. Fatores vasculares
    3. Fatores mecânicos
  • Tratamento:
    • Sintomático: uso de analgésicos (AINEs, paracetamol) ou moduladores de dor (gabapentinoides, antidepressivos tricíclicos). Opioides podem ser utilizados por períodos bem definidos e reavaliados periodicamente.
    • Causal: dependerá da doença específica do órgão acometido; pode envolver procedimentos médicos ou cirúrgicos.
  • Abordagem Multidisciplinar: integração entre especialistas do órgão acometido, manejo da dor, psicologia e fisioterapia, sobretudo em casos complexos.

Resumo para Consulta Rápida

  1. Distribuição da Dor

    • Envolve regiões de cabeça/pescoço, tórax, abdômen ou pelve, em concordância com a inervação visceral.
  2. Duração

    • Dor persistente/recorrente por ≥3 meses.
  3. Características da Dor

    • Etiologia visceral provável, com possível impacto emocional e comportamental.
  4. Sintomas Associados

    • Sofrimento emocional, prejuízo funcional, avaliação multidisciplinar recomendada.
  5. Fatores Psicossociais

    • Influenciam a percepção e manutenção da dor.
  6. Exclusão

    • Se etiologia for vaga (dor primária), câncer, pós-cirúrgica, pós-traumática ou neuropática, realocar em classificação apropriada.
  7. Considerações

    • Mecanismos principais: inflamação persistente, fatores vasculares e mecânicos.
    • Tratamento sintomático e direcionado à causa.
    • Abordagem multidisciplinar essencial.

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