Scholz 2019 - Classificação da Dor Neuropática Crônica

 


Checklist: Classificação da Dor Neuropática Crônica

Definição e Contexto:
A dor neuropática crônica é aquela decorrente de lesão ou doença do sistema somatossensorial e persiste por um período de 3 meses ou mais. Entretanto, em algumas condições neuropáticas específicas, o diagnóstico pode ser feito antes desse período.


1. Duração e Exceções

  • Duração Padrão: Dor neuropática considerada crônica após ≥3 meses.
  • Exceções: Algumas condições apresentam sintomas tão característicos que permitem o diagnóstico mesmo antes dos 3 meses, como:
    • Nevralgia do trigêmeo: Dor abrupta, em paroxismos, em um ou mais ramos do nervo trigêmeo, desencadeada por estímulos mecânicos leves ou movimentos orofaciais, com períodos de remissão incompletos.
    • Polineuropatia diabética (tipo 2): A dor associada costuma ser persistente.
    • Dor central após lesão medular: Persiste de modo contínuo, tornando desnecessário aguardar 3 meses para confirmar a cronicidade.

2. Justificativa para o Limite de 3 Meses

  • Definição Arbitrária: O marco de 3 meses é adotado para padronização em pesquisas, ensaios clínicos e para facilitar critérios operacionais, mesmo que não haja marcadores objetivos para diferenciar fases aguda e crônica da dor.

3. Diferenciação de Origem da Dor Neuropática

  • Neuropatia Periférica vs Central: A classificação proposta diferencia a dor neuropática pela origem:
    • Periférica: Lesão ou doença de nervos periféricos.
    • Central: Lesão ou doença do sistema nervoso central (cérebro ou medula espinhal).

4. Condições Comuns de Dor Neuropática Persistente ou Recorrente

  • A classificação inclui 9 condições comuns (ilustradas em um diagrama e tabela suplementar no artigo).
  • Cada condição tem definições curtas que fazem parte de um modelo mais detalhado na camada de fundação da CID-11.

5. Modelos Detalhados na CID-11

  • Modelos de Conteúdo: Apresentam critérios mínimos para confirmar dor neuropática possível, definições de investigações que apoiam o diagnóstico definitivo.
  • Códigos de Extensão: Disponíveis para descrever gravidade da dor (intensidade, sofrimento, incapacidade), características temporais, e fatores psicológicos ou sociais.

6. Integração com Outras Classificações

  • ICF (Classificação Internacional de Funcionalidade): Há links para relacionar a dor ao impacto na funcionalidade, bem-estar e participação social do indivíduo.

Em suma, o estudante deve compreender que a dor neuropática crônica é habitualmente definida após 3 meses, porém algumas condições (como nevralgia do trigêmeo, dor neuropática na neuropatia diabética ou pós-lesão medular) já podem ser diagnosticadas antes desse limite temporal. A classificação proposta distingue dores neuropáticas periféricas e centrais, apresenta 9 condições comuns, fornece critérios detalhados na CID-11 e inclui códigos para gravidade, fatores temporais, psicológicos e sociais, além de conexão com a ICF.

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