Rahimi 2021 - OAJ S1


 

RAHIMI, Fatemeh; NEJATI, Vahid; NASSADJ, Gholamhossein; ZIAEI, Sahare; KOUHZAD MOHAMMADI, Hossein. The effect of transcranial direct stimulation as an add-on treatment to conventional physical therapy on pain intensity and functional ability in individuals with knee osteoarthritis: a randomized controlled trial. Neurophysiologie Clinique/Clinical Neurophysiology, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.neucli.2021.06.002. Acesso em: 1 dez. 2024.

Objetivos do Artigo:

Investigar o efeito da adição da estimulação transcraniana por corrente direta (tDCS) ao tratamento fisioterapêutico convencional (PT) sobre a intensidade da dor e a capacidade funcional em indivíduos com osteoartrite do joelho (KOA).


3. Materiais e Métodos em Tópicos:

Amostra Total:

  • 80 indivíduos com osteoartrite crônica do joelho.

Amostra por Grupo:

  • Divisão em quatro grupos de tratamento:
    • Grupo A: PT + tDCS anodal ativa sobre o córtex motor primário (M1).
    • Grupo B: PT + tDCS anodal ativa sobre o córtex sensorial primário (S1).
    • Grupo C: PT + tDCS anodal ativa sobre o córtex pré-frontal dorsolateral (DLPFC).
    • Grupo D: PT + tDCS simulada.

Critérios de Inclusão:

  • Idade entre 50-65 anos.
  • Diagnóstico de KOA confirmado por especialista.
  • Escore de dor ≥ 4 na escala visual analógica (VAS).
  • Outros critérios específicos conforme o artigo.

Critérios de Exclusão:

  • Lesões traumáticas no joelho, condições neurológicas (ex. Parkinson, AVC), cirurgias recentes no joelho, entre outros.

Detalhes da Intervenção:

  • Tratamento com tDCS (anodo em diferentes áreas do córtex cerebral conforme grupo).
  • Corrente de 1 mA aplicada por 20 minutos durante 10 sessões (5 sessões/semana, 2 semanas).

Detalhes do Grupo Controle:

  • Grupo D recebeu tDCS simulada com corrente desligada após 30 segundos iniciais.

Resultados do Trabalho em Tópicos:

1. Efeitos na Intensidade da Dor (VAS - Visual Analogue Scale):

  • Grupo M1:
    • Melhorias significativas nos escores de dor imediatamente após o tratamento (T1) e no acompanhamento de um mês (T2).
    • Redução mais pronunciada na dor comparado aos demais grupos em T2.
  • Grupo S1:
    • Redução significativa nos escores de dor em T1 e T2.
  • Grupo DLPFC:
    • Melhora modesta em T1, mas sem efeitos significativos em T2.
  • Grupo Sham:
    • Pequena redução na dor ao longo do tempo, atribuída a efeitos placebo.

2. Capacidade Funcional (KOOS - Knee Injury and Osteoarthritis Outcome Score):

  • Grupo M1:
    • Melhor desempenho em T1 e redução significativa de incapacidades em T2.
  • Grupo S1:
    • Melhoria mais acentuada no acompanhamento a longo prazo (T2) em relação aos outros grupos.
  • Grupo DLPFC:
    • Resultados funcionais inferiores em T2 em comparação a M1 e S1.
  • Grupo Sham:
    • Menores melhorias gerais em relação aos grupos com tDCS ativa.

3. Desempenho Físico (Testes Específicos):

  • Testes Incluídos:
    • Stepping em 15 segundos.
    • Chair stand em 30 segundos.
    • Caminhada de 10 metros (4 voltas).
  • Grupo M1:
    • Melhorias significativas em todos os testes em T1, com desempenho sustentado em T2.
  • Grupo S1:
    • Melhoria evidente em T2, especialmente nos testes de stepping e chair stand.
  • Grupo DLPFC:
    • Desempenho modesto nos testes, mais significativo em T1, mas não sustentado em T2.
  • Grupo Sham:
    • Melhora discreta e inferior em comparação com os grupos de tDCS ativa.

4. Força do Quadríceps (Medida com Dinamômetro):

  • Grupo M1 e S1:
    • Aumento significativo da força muscular em T2.
  • Grupo DLPFC e Sham:
    • Melhorias mínimas e estatisticamente inferiores.

5. Conclusões Principais:

  • O tDCS sobre o córtex motor primário (M1) e o córtex sensorial primário (S1) proporcionou os melhores resultados em termos de alívio da dor e desempenho funcional.
  • O grupo que recebeu estimulação sobre M1 apresentou os maiores benefícios imediatos (T1).
  • O grupo S1 destacou-se por apresentar os melhores resultados de longo prazo (T2).
  • O DLPFC teve impacto limitado em termos de eficácia analgésica e funcional.
  • O tratamento tDCS foi seguro, sem relato de efeitos adversos significativos.

Discussão do Artigo

1. Benefícios do tDCS em Pacientes com KOA:

  • O tDCS combinado com fisioterapia convencional mostrou ser uma abordagem eficaz para:
    • Reduzir a intensidade da dor e melhorar a função física em pacientes com KOA​.
    • Benefícios mais marcantes no córtex motor primário (M1), responsável pela modulação da dor e funcionalidade​ (Fregni et al., 2007).
    • A estimulação no córtex sensorial primário (S1) resultou em efeitos sustentáveis no longo prazo, possivelmente devido à sua relação direta com a percepção sensorial da dor (Bingel et al., 2004)​.

2. Comparação entre Áreas Estimuladas:

  • M1:
    • Foi mais eficaz na redução da dor imediata devido à interação com redes motoras e talâmicas (Fregni et al., 2005)​.
  • S1:
    • Demonstrou melhora funcional prolongada devido à sua contribuição na discriminação sensorial do estímulo doloroso (Boricha et al., 2015)​.
  • DLPFC:
    • Impacto limitado na analgesia, possivelmente devido ao seu papel primário em aspectos cognitivos e emocionais da dor (Alshuft et al., 2016)​.

3. Mecanismos Subjacentes e Complementaridade:

  • Efeitos do tDCS:
    • Modulação da plasticidade neural, o que potencializa os efeitos da fisioterapia convencional (Chang et al., 2017)​.
    • Priming das áreas envolvidas no processamento da dor, especialmente em combinação com exercícios físicos (Dobson et al., 2013)​.
  • Intervenção Complementar:
    • A sinergia entre tDCS e fisioterapia promoveu melhorias cumulativas e sustentáveis na função física e na redução da dor (Allen, 2011)​.

4. Limitações do Estudo:

  • Curto período de acompanhamento (T2: 1 mês).
  • Uso de polaridade anodal exclusiva, deixando em aberto os efeitos da polaridade catodal (Suchting et al., 2021)​.
  • Comparação limitada ao uso de locais específicos para tDCS sem explorar regiões adicionais relacionadas ao controle da dor (Chang et al., 2015)​.

Conclusões dos Autores

Conclusão Geral:

  • O tDCS, especialmente aplicado ao córtex motor primário (M1) e sensorial primário (S1), é um complemento eficaz para a fisioterapia em pacientes com KOA.
  • Os benefícios foram evidentes na redução da dor e na melhora funcional, com efeitos sustentados no grupo S1 durante o acompanhamento a longo prazo.

A Conexão com os Resultados:

  • A conclusão está diretamente alinhada com os resultados:
    • Resultados sobre a dor: validam a superioridade de M1 na analgesia imediata e S1 em efeitos prolongados.
    • Resultados funcionais: confirmam que a combinação com fisioterapia otimiza o potencial do tDCS na reabilitação funcional.
  • Os autores destacam que a combinação de intervenções central e periférica aborda a complexidade da dor crônica em KOA, refletindo as descobertas experimentais e resultados práticos obtidos.

Explicação da "Table 2: Impact of the interventions on pain intensity, disability, and performance"

A tabela resume os efeitos de diferentes combinações de tratamentos nos seguintes parâmetros avaliados:

  1. Intensidade da Dor (Visual Analogue Scale - VAS).
  2. Incapacidade Funcional (Knee Injury and Osteoarthritis Outcome Score - KOOS).
  3. Desempenho Físico, medido por testes específicos:
    • Stepping (número de passos em 15 segundos).
    • Chair Stand (número de levantadas de uma cadeira em 30 segundos).
    • Caminhada de 10 metros (tempo necessário para completar quatro voltas).

Essas medidas foram realizadas em três momentos:

  • T0: Antes do início do tratamento.
  • T1: Imediatamente após 10 sessões de tratamento.
  • T2: Um mês após o término do tratamento.

Resultados Principais:

1. Intensidade da Dor (VAS):

  • Descrição: Avaliada em uma escala de 0 a 10 (0 = sem dor, 10 = dor intensa).
  • Resultados:
    • M1 (Córtex Motor Primário): Maior redução da dor em T1 e T2. Destacou-se como a intervenção mais eficaz no alívio imediato e a longo prazo.
    • S1 (Córtex Sensorial Primário): Redução significativa, especialmente em T2, indicando efeitos sustentáveis.
    • DLPFC (Córtex Pré-frontal Dorsolateral): Melhoras modestas, mais evidentes em T1.
    • Sham (Estimulação Simulada): Pequena redução na dor, atribuída ao efeito placebo.

2. Incapacidade Funcional (KOOS):

  • Descrição: Escore de 0 a 100; valores mais altos indicam menos incapacidade.
  • Resultados:
    • M1: Melhoria significativa em T1, mas com leve declínio em T2.
    • S1: Maior impacto em T2, superando todos os outros grupos.
    • DLPFC: Efeitos limitados e inferiores a M1 e S1.
    • Sham: Melhoria mínima, inferior aos grupos de tDCS ativo.

3. Desempenho Físico:

a. Stepping (Número de passos em 15 segundos):
  • M1: Melhor desempenho em T1 e T2.
  • S1: Resultados superiores aos demais em T2.
  • DLPFC: Modestas melhorias, mais evidentes em T1.
  • Sham: Pouca ou nenhuma melhoria.
b. Chair Stand (Número de levantadas de uma cadeira em 30 segundos):
  • M1: Desempenho consistente, com boas melhorias em T1 e T2.
  • S1: Avanço mais acentuado em T2.
  • DLPFC: Efeitos limitados.
  • Sham: Resultados inferiores.
c. Caminhada de 10 metros (Tempo em segundos):
  • M1: Melhorias significativas em T2.
  • S1: Maior avanço em T2, mostrando os melhores resultados entre todos os grupos.
  • DLPFC: Melhoria discreta, sem impacto significativo.
  • Sham: Sem avanços relevantes.

Conclusão da Tabela:

  • A estimulação no córtex motor primário (M1) foi mais eficaz para aliviar a dor e melhorar o desempenho funcional imediato.
  • A estimulação no córtex sensorial primário (S1) mostrou os melhores resultados sustentáveis em T2.
  • A estimulação no córtex pré-frontal dorsolateral (DLPFC) teve impacto limitado.
  • A intervenção simulada (Sham) mostrou melhorias mínimas, atribuídas ao efeito placebo.






Slide 1: Introdução e Objetivos

Título:

Estimulação Transcraniana por Corrente Direta (tDCS) em Pacientes com Osteoartrite do Joelho
(Rahimi et al., 2021)

Objetivo do Estudo:

  • Investigar o efeito da tDCS como tratamento adicional à fisioterapia convencional para:
    • Reduzir a dor.
    • Melhorar a capacidade funcional e o desempenho físico.

Contexto:

  • Alvos Corticais:
    • Córtex Motor Primário (M1): Modulação da dor e função motora.
    • Córtex Sensorial Primário (S1): Processamento sensorial da dor.
    • Córtex Pré-frontal Dorsolateral (DLPFC): Regulação emocional da dor.
  • Parâmetros do tDCS:
    • Amperagem: 1 mA.
    • Duração: 20 minutos.
    • Sessões: 10 sessões (5/semana por 2 semanas).

Slide 2: Resultados e Conclusões

Resultados Principais:

  1. Redução da Dor (VAS):
    • M1: Melhor alívio imediato e sustentado.
    • S1: Melhor desempenho funcional a longo prazo.
    • DLPFC: Impacto menor.
  2. Capacidade Funcional (KOOS):
    • M1 e S1: Benefícios superiores ao grupo controle.
    • Sham: Melhora discreta (efeito placebo).
  3. Desempenho Físico (Stepping, Chair Stand, Caminhada):
    • M1 e S1: Melhores avanços, com destaque para M1 em T1 e S1 em T2.

Conclusão:

  • O tDCS potencializa os efeitos da fisioterapia convencional:
    • Atua no controle central e periférico da dor.
    • Melhora funcionalidade e qualidade de vida.

Gráfico Sugestivo:

  • Coloque um gráfico de barras (simples) comparando os escores de dor e função (M1, S1, DLPFC, Sham).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Perrot 2019 - Dor Musculoesquelética Crônica Secundária Associada à Esclerose Múltipla

O plano

o tratamento online de dores crônicas com foco na experiência humana e no acolhimento real