Nicholas 2019 - Síndrome de Dor Torácica Crônica Primária

 

Checklist: Síndrome de Dor Torácica Crônica Primária

Definição:
Dor torácica crônica primária é uma dor retroesternal recorrente, não explicada por doenças orgânicas conhecidas, com padrão de referência visceral compatível com origem esofágica.


1. Critérios de Duração e Frequência

  • Duração Total: Sintomas presentes há pelo menos 3 meses.
  • Início dos Sintomas: Há pelo menos 6 meses antes do diagnóstico.
  • Frequência: Pelo menos 1 episódio de dor por semana.

2. Localização e Padrão da Dor

  • Localização: Região retroesternal.
  • Padrão Visceral: Área compatível com inervação sensorial do esôfago, podendo haver dor referida na parede torácica, braços ou mandíbula (semelhante à angina).

3. Ausência de Sintomas Associados

  • Azia (pirose): Ausente.
  • Disfagia: Ausente.

4. Exclusão de Outras Causas

  • Refluxo Gastroesofágico: Excluir diagnóstico de doença do refluxo.
  • Alterações Esofágicas Mucosas: Excluir esofagite, eosinofílica ou outros processos mucosos.
  • Distúrbios Motores Esofágicos: Excluir acalasia, “Jackhammer esophagus” ou espasmo esofágico difuso.
  • Causas Cardíacas: Excluir condições cardíacas que possam justificar a dor.
  • Dor Visceral Secundária: Excluir quaisquer causas orgânicas que expliquem melhor a dor.

5. Mecanismos e Fenômenos Associados

  • Dor Referida: A dor percebida na parede torácica é a projeção da inervação esofágica.
  • Hiperalgesia Secundária: Pode haver sensibilidade aumentada a estímulos dolorosos em áreas distantes do local primário da nocicepção.

6. Terminologia

  • Termo “Noncardiac”: Evitar classificar a dor apenas pela ausência de causa cardíaca; o termo não é adequado como diagnóstico.

Em suma, para classificar corretamente a síndrome de dor torácica crônica primária, o estudante deve confirmar dor recorrente e retroesternal por pelo menos 3 meses, sem azia ou disfagia, presente há mais de 6 meses, ocorrendo pelo menos uma vez por semana, e excluir causas orgânicas como refluxo, distúrbios esofágicos específicos e problemas cardíacos. O padrão de dor deve ser consistente com inervação esofágica, podendo apresentar hiperalgesia secundária, mas sem uma condição definível que justifique o quadro.

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