Nicholas 2019 - Síndrome de Dor Regional Complexa (CRPS)
Definição:
A Síndrome de Dor Regional Complexa (CRPS) é um tipo de dor crônica primária caracterizada por dor regional, geralmente iniciada distalmente em um membro após um trauma, cuja intensidade ou duração é desproporcional ao esperado para aquele tipo de lesão. Apresenta alterações autonômicas, inflamatórias e possíveis mecanismos nociplásticos.
1. Distribuição da Dor
- Dor localizada em uma distribuição regional.
- Geralmente inicia distalmente em uma extremidade após um trauma.
2. Intensidade e Duração da Dor
- Desproporcionalidade: A dor é mais intensa ou dura mais tempo do que o esperado após um trauma tecidual semelhante.
3. Características da Dor
- Dor espontânea, mas que também pode ser evocada por estímulos.
- Nociplástica: Suspeita de mecanismos nociplásticos, não apenas nociceptivos ou neuropáticos.
4. Sinais e Sintomas Associados
- Alterações Autonômicas e Inflamatórias:
- Mudanças na cor e temperatura da pele
- Sudorese aumentada ou alterada
- Edema
- Alterações no crescimento de pelos e unhas
- Pele distrófica
- Alterações Sensitivas:
- Hiperalgesia (resposta aumentada a estímulos dolorosos)
- Alodinia (dor a estímulos normalmente não dolorosos)
- Alterações Motoras e Tróficas:
- Força reduzida
- Tremores
- Distonia no membro afetado
- Osteoporose focal
- Em estágios tardios: atrofia muscular, retração articular e tendínea
5. Subtipos de CRPS
- CRPS Tipo 1: Não há lesão de nervo periférico identificável (mecanismos predominantemente nociplásticos).
- CRPS Tipo 2: Há evidência de lesão de nervo periférico (mecanismos frequentemente considerados neuropáticos).
6. Critérios de Exclusão
- Excluir outras condições que expliquem a dor regional e as alterações autonômicas observadas.
7. Considerações Adicionais
- A distinção entre CRPS tipo 1 e tipo 2 é baseada na presença ou ausência de lesão de nervo periférico, mas estudos recentes questionam o grau de diferença entre elas.
- A CRPS está incluída na CID-11 no capítulo de distúrbios do sistema nervoso autônomo e relacionada à dor crônica primária.
Em suma, para classificar corretamente a CRPS, o estudante deve verificar se a dor é regional, surgiu após um trauma, é desproporcional ao esperado, apresenta sinais autonômicos e sensoriais anormais, e se enquadra em tipo 1 (sem lesão nervosa) ou tipo 2 (com lesão nervosa). A presença de mecanismos nociplásticos e a evolução dos sintomas ao longo do tempo também devem ser considerados.
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