Van Dun 2016 - Revisão sobre tDCS no Cerebelo
Posicionamento dos Eletrodos e Estudos de Modelagem
Posicionamento Comum dos Eletrodos no tDCS Cerebelar
O setup mais utilizado posiciona o eletrodo ativo sobre um hemisfério cerebelar, a 1–2 cm abaixo e 3–4 cm lateral ao ínion.O eletrodo de referência é normalmente colocado:
- a. Sobre o músculo bucinador ipsilateral.
- b. Sobre o músculo deltoide ipsilateral.
- c. Na testa ou na área supraorbital ipsilateral.
Estimulação Bilateral
A estimulação bilateral envolve a colocação de eletrodos sobre ambos os hemisférios cerebelares.Essa configuração pode produzir efeitos mais difusos no córtex cerebral.
A estimulação do vérmis requer que o eletrodo ativo seja colocado na linha média.
Importância da Posição dos Eletrodos
A posição dos eletrodos determina a direção do fluxo de corrente e a orientação do campo elétrico.Estudos de modelagem buscam estimar as distribuições de densidade de corrente e os campos elétricos induzidos usando métodos computacionais, como a solução da equação de Laplace.
Estudos de Modelagem e Principais Descobertas
Parazzini et al. (2014b):
Utilizaram modelos de cabeças humanas virtuais com 77 tipos de tecidos e um formato baseado em voxel (1 mm por voxel).Descobriram a maior densidade de corrente abaixo do eletrodo estimulador no cerebelo posterior, com mínima propagação para outras regiões, como o córtex occipital.
Recomendaram cautela ao usar tDCS cerebelar em crianças devido à possível propagação de corrente para o tronco encefálico.
Rahman et al. (2014):
Investigaram quatro montagens de eletrodos com diferentes direções de fluxo de corrente (interna, externa, lateralizada à esquerda e lateralizada à direita).Confirmaram que o tDCS cerebelar induz fluxo de corrente de maneira eficaz e com direção uniforme.
Rampersad et al. (2014):
Utilizaram modelagem baseada em ressonância magnética (MRI) e imagem por tensor de difusão (DTI) em um homem saudável de 25 anos, com uma malha tetraédrica.Descobriram que os campos elétricos durante a estimulação cerebelar frequentemente são inferiores e mediais à área-alvo, devido à forma côncava do cerebelo.
Mostraram que a maior parte da corrente entra perpendicularmente na substância cinzenta, sugerindo que isso pode ser mais importante do que a força do campo.
Desafios nos Estudos de Modelagem
A condutividade dos tecidos é pouco compreendida, com variação substancial nos valores relatados, especialmente para a condutividade muscular.Variações no posicionamento do eletrodo ativo (+/-1 cm) produziram apenas pequenas mudanças na distribuição do campo, sugerindo que sistemas avançados de neuronavegação podem não ser necessários.
Posicionamento do Eletrodo de Referência
Grimaldi e Manto (2013):
Testaram um eletrodo de referência supraorbital contralateral e outro no ombro ipsilateral.Não encontraram diferenças significativas nos resultados, sugerindo que a posição do eletrodo de referência pode não ser crítica.
- Estudos adicionais de modelagem e ensaios clínicos são necessários para investigar sistematicamente os efeitos do posicionamento dos eletrodos nos resultados do tDCS cerebelar.
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| Área Alvo do Cerebelo | Coordenadas do Ânodo (cm) | Coordenadas do Cátodo (cm) | Função da Área (Ânodo) |
|---|---|---|---|
| Hemisfério Cerebelar Direito | 1–2 cm abaixo e 3–4 cm lateral ao ínion (lado direito) | Testa ipsilateral ou músculo bucinador ipsilateral | Controle motor fino e coordenação dos membros superiores esquerdos. |
| Hemisfério Cerebelar Esquerdo | 1–2 cm abaixo e 3–4 cm lateral ao ínion (lado esquerdo) | Testa ipsilateral ou músculo bucinador ipsilateral | Controle motor fino e coordenação dos membros superiores direitos. |
| Vérmis Cerebelar | Na linha média, 1–2 cm abaixo do ínion | Ombro ipsilateral ou músculo deltoide ipsilateral | Controle do equilíbrio, postura e movimentos axiais. |
| Córtex Cerebelar Posterior | 2 cm abaixo do ínion, no centro da linha média | Braço ipsilateral ou área supraorbital ipsilateral | Regulação de funções cognitivas e associativas conectadas ao córtex pré-frontal. |
| Área Cerebelar Lateral (Bilateral) | Ambos os lados: 1–2 cm abaixo e 3–4 cm lateral ao ínion | Ombros ipsilaterais ou região supraorbital bilateral | Coordenação motora global e aprendizado motor (incluindo adaptação motora). |
Polaridade e Função:
O ânodo aumenta a excitabilidade da área-alvo, facilitando a função motora ou cognitiva associada.===========================
1. Relevância e Potencial do tDCS no Cerebelo
Importância do Cerebelo:
O cerebelo possui a maior densidade de neurônios do cérebro e está envolvido em funções motoras, cognitivas e afetivas.Suas conexões com o córtex cerebral tornam o tDCS uma ferramenta promissora para modular redes cerebelocerebrais.
Diferenciação de Efeitos:
2. Desafios Técnicos e Metodológicos
Posicionamento dos Eletrodos:
A precisão do posicionamento do ânodo e do cátodo influencia diretamente a eficácia da estimulação.Estudos de modelagem mostraram que pequenas variações na posição do eletrodo alteram minimamente os efeitos, sugerindo que neuronavegação avançada pode não ser necessária.
Condutividade dos Tecidos:
Discrepâncias nos valores de condutividade relatados para músculos e tecidos cranianos dificultam a modelagem precisa da distribuição de corrente.A falta de conhecimento aprofundado sobre essas propriedades é um obstáculo para maior precisão em estudos experimentais.
Estimulação Bilateral vs. Unilateral:
3. Limitações da Literatura Atual
Falta de Ensaios Clínicos Ampla-escala:
A maioria dos estudos revisados inclui amostras pequenas, limitando a generalização dos resultados.Não há consenso sobre os parâmetros ideais (intensidade, duração, frequência de sessões) para tDCS cerebelar.
Foco Insuficiente em Distúrbios Neurológicos:
4. Comparação com tACS (Estimulação Transcraniana por Corrente Alternada)
O artigo explora como o tACS, uma técnica emergente, se diferencia do tDCS no contexto cerebelar.
tACS pode sincronizar redes neurais em frequências específicas, enquanto o tDCS modula a excitabilidade basal.Porém, os mecanismos de ambos ainda não são totalmente compreendidos, exigindo mais estudos comparativos.
5. Sugestões para Pesquisas Futuras
Necessidade de Padronização:
Estudos futuros devem buscar uniformidade nos métodos, como montagens de eletrodos, intensidade e duração da corrente.Expansão para Novas Populações:
Investigar o impacto do tDCS em condições cerebelares específicas, como ataxias ou disfunções cognitivas.Uso de Modelagem Computacional:
- Ampliar o uso de modelagem para prever efeitos da estimulação em diferentes faixas etárias e condições clínicas.

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