Hazime - tDCS + PES DLC
Hazime, F. A., Baptista, A. F., de Freitas, D. G., Monteiro, R. L., Maretto, R. L., Hasue, R. H., & João, S. M. A. (2017). Treating low back pain with combined cerebral and peripheral electrical stimulation: A randomized, double-blind, factorial clinical trial. European Journal of Pain, 21(7), 1132–1143. https://doi.org/10.1002/ejp.1037
| Grupo | Número de Participantes |
|---|---|
tDCS + PES | 23 |
| tDCS real + PES sham | 23 |
| tDCS sham + PES real | 23 |
| tDCS sham + PES sham | 23 |
No estudo, os protocolos de atendimento e os parâmetros das estimulações reais para a estimulação transcraniana por corrente direta (tDCS) e a estimulação elétrica periférica (PES) foram descritos da seguinte forma:
1. Estimulação Transcraniana por Corrente Direta (tDCS)
- Dispositivo: Gerador de corrente contínua alimentado por bateria (Activadose II).
- Eletrodos: Dois eletrodos (35 cm², cobertos com esponja umedecida com solução salina a 1%).
- Posicionamento:
- Eletrodo anódico: Córtex motor primário (C3 ou C4, contralateral ao lado da dor).
- Eletrodo catódico: Região supraorbital ipsilateral à dor.
- Parâmetros de estimulação:
- Intensidade: 2 mA.
- Densidade de corrente: 0,057 mA/cm².
- Duração: 20 minutos.
- Estimulação Sham (controle): Corrente real por apenas 30 segundos para simular a sensação inicial, seguida de interrupção.
2. Estimulação Elétrica Periférica (PES)
- Dispositivo: Gerador de corrente elétrica (Neurodyn III).
- Eletrodos: Quatro eletrodos adesivos (5 × 9 cm), colocados paralelamente no segmento lombar mais doloroso, com uma distância de 30 mm entre eles.
- Parâmetros de estimulação:
- Tipo de onda: Retangular, bifásica e assimétrica.
- Intensidade: Forte, mas confortável (nível sensorial).
- Frequência de pulso: 100 Hz.
- Duração do pulso: 200 µs.
- Duração da aplicação: 40 minutos.
- Estimulação Sham (controle): Corrente real aplicada por apenas 30 segundos, com interrupção posterior.
Protocolo de Tratamento
- Número de Sessões: 12 sessões em dias não consecutivos, distribuídas em 4 semanas (3 sessões por semana).
- Grupos de Tratamento:
- tDCS real + PES real.
- tDCS real + PES sham.
- tDCS sham + PES real.
- tDCS sham + PES sham (controle).
Esses protocolos garantiram a comparação entre os efeitos reais e placebo de cada técnica e da combinação entre elas.
A Figura 2 do artigo ilustra a Análise da Proporção Cumulativa de Respondentes (CPRA), mostrando a redução da intensidade da dor após o tratamento, com diferentes pontos de corte (% de redução da dor). A figura contém quatro gráficos (A, B, C e D), representando respostas ao longo de 12 sessões de tratamento para diferentes grupos.
Item A: Corte para Redução de <20% (Mudança Minimamente Clinicamente Importante)
- Este gráfico avalia o número de pacientes que alcançaram uma redução de dor menor que 20%, considerada o mínimo clinicamente relevante.
- Mostra que os grupos ativos (tDCS + PES e PES isolado) têm maior proporção de respondentes com redução da dor quando comparados ao grupo controle (sham).
- O grupo tDCS + PES apresenta desempenho superior ao PES e ao tDCS isolados.
Item B: Corte para Redução de ≥30% (Mudança Moderadamente Clinicamente Importante)
- Aqui, considera-se uma redução de dor de pelo menos 30%, que reflete uma melhora moderada.
- tDCS + PES é o grupo que apresenta a maior proporção de respondentes, seguido pelo grupo PES.
- O grupo tDCS isolado e o controle (sham) têm resultados muito inferiores.
Item C: Corte para Redução de ≥50% (Mudança Substancialmente Clinicamente Importante)
- Este gráfico avalia os pacientes que obtiveram uma redução de dor de 50% ou mais, considerada uma melhora significativa.
- Novamente, o grupo tDCS + PES lidera com a maior proporção de pacientes que alcançaram esse nível de redução, demonstrando o benefício do tratamento combinado.
- O grupo PES apresenta desempenho inferior ao tDCS + PES, mas ainda melhor que tDCS isolado e sham.
Item D: Resumo Geral da Redução da Dor em Diferentes Pontos de Corte
- Este gráfico resume as proporções cumulativas para todos os grupos em todos os pontos de corte.
- Fica evidente que o grupo tDCS + PES tem os melhores resultados gerais, independentemente do ponto de corte.
- O grupo PES mostra benefício significativo, mas não tão robusto quanto o tratamento combinado.
- Os grupos tDCS isolado e controle (sham) têm proporções muito menores em comparação aos grupos ativos.
Interpretação Geral
A figura reforça que a combinação de tDCS + PES é a mais eficaz para aliviar a dor, atingindo níveis clinicamente importantes de redução (>30% e >50%) com maior frequência e consistência. O PES isolado também mostra bons resultados, enquanto o tDCS isolado apresenta efeitos limitados.
A avaliação no Item D da Figura 2 representa a resposta geral acumulativa ao longo das 12 sessões de tratamento. Ou seja, ela não está vinculada a um único tempo ou intervalo específico, mas sim reflete o progresso dos pacientes em termos de redução de dor ao longo do protocolo de atendimento completo.
Os dados apresentados no gráfico são calculados considerando a proporção cumulativa de pacientes que atingiram os diferentes níveis de redução de dor (20%, 30% ou 50%) durante o período total de intervenção, do dia 1 ao dia 12.
1. Follow-up de 4 Semanas (Curto Prazo)
- Redução da dor:
- Apenas os grupos PES e tDCS + PES atingiram uma redução clinicamente significativa (mínimo de 2 pontos na escala de dor, NRS).
- O grupo tDCS isolado não mostrou diferença clinicamente significativa em relação ao controle.
- Percepção global de melhora:
- tDCS + PES foi o único grupo com mudanças importantes na percepção global dos pacientes.
2. Follow-up de 3 Meses (Médio Prazo)
- Redução da dor:
- O efeito analgésico foi mantido apenas no grupo tDCS + PES.
- O grupo PES isolado apresentou alguma melhora, mas perdeu significância clínica ao longo do tempo.
- O grupo tDCS isolado continuou com resultados não significativos.
- Percepção global de melhora:
- tDCS + PES ainda apresentou diferenças clinicamente importantes em relação ao controle.
3. Follow-up de 6 Meses (Longo Prazo)
- Redução da dor:
- Nenhum dos grupos manteve uma redução clinicamente significativa após 6 meses.
- Os efeitos analgésicos dos grupos ativos diminuíram e ficaram próximos ao controle (sham).
- Percepção global de melhora:
- Somente o grupo tDCS + PES apresentou uma pequena vantagem em relação aos demais, mas sem atingir relevância clínica significativa.
Resumo do Comportamento dos Grupos
- tDCS + PES: Apresentou os melhores resultados, com alívio da dor clinicamente relevante mantido até 3 meses e melhora consistente na percepção global.
- PES isolado: Eficaz para redução da dor no curto prazo, mas sem manutenção no médio/longo prazo.
- tDCS isolado: Resultados fracos, sem alívio da dor clinicamente significativo em nenhum período.
- Controle (sham): Não apresentou efeitos clínicos significativos em nenhum momento.
Esses resultados mostram que a combinação tDCS + PES é a estratégia mais eficaz, especialmente para o médio prazo (até 3 meses). No entanto, nenhum dos tratamentos proporcionou benefícios duradouros (6 meses) sem reforço.
Discussão
1. Redução da Dor
- tDCS + PES foi o único tratamento que apresentou redução da dor clinicamente significativa e sustentada por até 3 meses (Hazime et al., 2017).
- A combinação das técnicas mostrou melhores resultados que o uso isolado de tDCS ou PES, reforçando a hipótese de efeito sinérgico (Schabrun et al., 2014).
- O efeito combinado pode ser explicado pelo fenômeno de metaplasticidade, onde o tDCS excita o córtex motor primário (M1), enquanto o PES atua na inibição sensorial, resultando em modulação cortical otimizada (Nitsche & Paulus, 2000; Muller-Dahlhaus & Ziemann, 2015).
2. Mecanismos Subjacentes
- tDCS: Polarização da membrana neuronal que altera a excitabilidade cortical, promovendo liberação de opioides endógenos, especialmente em regiões como o córtex cingulado anterior e a substância cinzenta periaquedutal (Maarrawi et al., 2007; DosSantos et al., 2012).
- PES: Produz inibição segmentar (via controle de portão) e inibição descendente (ativação de receptores opioides delta) (Melzack & Wall, 1965; Kalra et al., 2001).
3. Comparações com Estudos Anteriores
- Estudos prévios relataram benefícios de cada técnica isolada, mas os efeitos muitas vezes eram inconsistentes ou de curta duração (O’Connell et al., 2013; Luedtke et al., 2015).
- Em contraste, este estudo encontrou maior durabilidade com a combinação de tDCS + PES, apoiando a ideia de potencialização de efeitos (Boggio et al., 2009; Schabrun et al., 2014).
4. Impacto na Incapacidade
- Apesar da redução da dor, nenhuma intervenção impactou significativamente a incapacidade dos pacientes (Hazime et al., 2017).
- Fatores psicológicos, crenças e a falta de abordagens ativas (como exercícios físicos) podem ter contribuído para a ausência de melhora funcional (Mannion et al., 2001; Grotle et al., 2004).
5. Limitações e Implicações Clínicas
- A alta variabilidade interindividual nas respostas ao tDCS é uma limitação reconhecida em estudos de estimulação cerebral (Ridding & Ziemann, 2010).
- O estudo demonstrou que protocolos combinados podem ser mais eficazes em contextos clínicos, especialmente em programas de reabilitação (Nitsche & Paulus, 2011).
6. Conclusão Principal
- A combinação tDCS + PES mostrou-se eficaz no alívio da dor lombar crônica a curto e médio prazo. Porém, nenhum efeito foi mantido a longo prazo (Hazime et al., 2017).
Critérios de Inclusão:
- Idade: Pacientes entre 18 e 60 anos.
- Diagnóstico médico: Dor lombar crônica inespecífica persistente por pelo menos 3 meses.
- Intensidade da dor: Escore de dor ≥4 na Escala Numérica de Dor (NRS) durante a avaliação inicial.
- Busca espontânea por tratamento: Os pacientes estavam ativamente procurando atendimento para dor lombar.
- Consentimento informado: Assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.
Critérios de Exclusão:
- Condições médicas ou histórico recente:
- Cirurgias de coluna nos últimos 6 meses.
- Tratamentos prévios com TENS ou tDCS nos últimos 6 meses.
- Hérnia de disco com compressão radicular ou comprometimento neurológico.
- Doenças neurológicas, psiquiátricas ou reumatológicas.
- Uso de dispositivos ou condições específicas:
- Presença de marcapassos ou dispositivos implantados.
- Gravidez.
- Uso de substâncias: Uso de medicamentos psicotrópicos ou consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
- Outras condições: Níveis de dor <4 na escala NRS durante a triagem inicial.
Esses critérios foram estabelecidos para garantir que os participantes apresentassem um quadro de dor lombar crônica uniforme e para excluir fatores que pudessem interferir nos efeitos das intervenções, como condições psiquiátricas ou neurológicas pré-existentes.

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