deSouza 2021 - Chikungunya tDCS
De Souza, C. G., Pegado, R., Costa, J., Morya, E., Baptista, A. F., Unal, G., Bikson, M., & Okano, A. H. (2021). Alternate sessions of transcranial direct current stimulation (tDCS) reduce chronic pain in women affected by chikungunya: A randomized clinical trial. Brain Stimulation, 14(3), 541–548. https://doi.org/10.1016/j.brs.2021.02.015
Objetivos do trabalho
O objetivo principal do estudo foi avaliar o efeito de sessões alternadas de estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS) sobre a dor e a capacidade funcional em mulheres com artralgia crônica associada ao vírus chikungunya (CHIKV).
Amostra
- Amostra total: 58 mulheres na fase crônica da chikungunya.
- Distribuição por grupo:
- Grupo tDCS ativo: 29 participantes.
- Grupo Sham (controle): 30 participantes.
Desfechos avaliados
- Desfecho primário: Dor, avaliada por:
- Escala Visual Analógica (VAS) (0–10, onde 0 é ausência de dor e 10 é a pior dor possível).
- Desfechos secundários:
- Capacidade funcional, medida pelo Health Assessment Questionnaire (HAQ).
- Gravidade da dor e interferência no cotidiano, avaliadas pelo Brief Pain Inventory (BPI).
Momentos de avaliação
As avaliações foram realizadas:
- Pré-tratamento (antes das sessões de tDCS).
- Pós-tratamento (após a 6ª sessão).
- Follow-up:
- 7 dias após a última sessão.
- 15 dias após a última sessão.
Alvos corticais
- Ânodo: Região do córtex motor primário (M1).
- Cátodo: Região supraorbital contralateral (Fp2).
Essa configuração segue o sistema 10/20 de posicionamento de eletrodos.
Detalhes do tratamento
- Sessões: Seis sessões de tDCS realizadas em dias alternados (não consecutivos), ao longo de duas semanas.
- Protocolo:
- Corrente constante de 2 mA aplicada por 20 minutos.
- Eletrodos de superfície de 35 cm² (5x7 cm), embebidos em solução salina a 0,9%.
- No grupo sham, houve uma subida e descida gradual da corrente (30 segundos), mas sem estimulação efetiva durante o restante da sessão.
A Figura 3 do artigo apresenta os resultados relacionados à redução da dor, medidos pela Escala Visual Analógica (VAS), nos diferentes momentos do estudo, comparando os grupos tDCS ativo e Sham (controle). Aqui está a explicação detalhada:
O que a figura mostra
Eixo X (horizontal): Os momentos de avaliação:
- Baseline (antes do tratamento): Avaliação inicial.
- Day 6 (após a 6ª sessão): Imediatamente após o fim do protocolo de tDCS.
- 1st Follow-up (7 dias após a última sessão).
- 2nd Follow-up (15 dias após a última sessão).
Eixo Y (vertical): Pontuações médias de dor no VAS (0–10).
Linhas e marcadores:
- Linha azul (Active): Grupo que recebeu tDCS ativo.
- Linha vermelha (Sham): Grupo controle (placebo).
Anotações estatísticas:
- Um asterisco (*) indica diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.
- Os valores médios e as diferenças significativas entre os dois grupos são detalhados nos momentos indicados.
Resultados destacados na figura
Baseline:
- Não houve diferença significativa entre os grupos (p = 0,09), indicando que ambos começaram com níveis de dor similares.
Day 6 (após a última sessão):
- O grupo tDCS ativo apresentou uma redução significativa da dor em comparação ao grupo Sham (p = 0,001; diferença média: 1,98).
1º Follow-up (7 dias após):
- A redução da dor no grupo ativo foi ainda mais pronunciada, com diferença significativa em relação ao grupo Sham (p = 0,0001; diferença média: 2,39).
2º Follow-up (15 dias após):
- A redução da dor permaneceu significativa no grupo ativo em relação ao Sham (p = 0,0001; diferença média: 1,32).
Interpretação
A figura destaca que o tDCS ativo foi eficaz para reduzir a dor em curto (após a 6ª sessão) e longo prazo (até 15 dias após o tratamento). Essa redução foi mais evidente e sustentada no grupo ativo, enquanto o grupo Sham teve uma redução mais modesta, possivelmente atribuída a fatores como efeito placebo ou variações naturais.

Comentários
Postar um comentário